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Cuestiones de América

 

Fórum de São Paulo passa em revista realidade latino-americana

Texto do Grupo de Trabalho do Fórum de São Paulo (FSP)

Reuniu-se em Quito, nos dias 26 e 27 de maio, o Grupo de Trabalho do Fórum de São Paulo, com a presença de delegados de partidos e movimentos políticos de 14 países: México, Cuba, Porto Rico, Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Colômbia, Venezuela, Equador, Peru, Brasil, Uruguai, Argentina e Chile.

Os participantes coincidiram em:

1. Condenar a guerra de agressão ao Iraque por parte dos Estados Unidos e seus aliados, registrando os desacordos e pronunciamentos opostos da Rússia, Alemanha, França, China, Brasil, México e Chile, entre outros, e os esforços diplomáticos para evitar a guerra. Mas sobretudo destacar e saudar a formidável mobilização dos povos em todos os quadrantes do planeta, principalmente a da juventude, contra esta criminosa guerra imperialista.

Condenar o saque do acervo cultural iraquiano, que constitui um valioso patrimônio da humanidade.

Exigir a imediata retirada das tropas invasoras, a libertação dos presos de guerra e o respeito aos direitos e o tratamento humano dos prisioneiros de Guantânamo.

2. Rejeitar a ofensiva militarista que avançou hoje em todo o mundo, impulsionada pelo governo ultradireitista dos Estados Unidos e seus aliados de turno, que arrasam o Direito Institucional e suas instituições. Pelo contrário, lutamos por um mundo onde domine o multilateralismo, com verdadeiras soberanias nacionais, respeito aos princípios de não-intervenção e autodeterminação dos povos, organismos internacionais representativos, capazes de assegurar a paz e respeitosos do Direito Internacional.

3. Sua enorme preocupação com a degradação social, econômica e política em que se encontra a América Latina e Caribe, em consequência das políticas que integram a estratégia global neoliberal dos países imperialistas e organismos internacionais como o FMI, Banco Mundial, estratégia impulsionada pelos governos que esfarrapam nossa economia.

3. Nossa luta de sempre pela paz, hoje cruelmente abandonada, assim como pela democracia. Portanto, defendemos a não- militarização dos conflitos da região e engajaremos todas as nossas energias em busca das negociações e gestões de paz, e da defesa do Direito Internacional.

5. É coincidente a imensa preocupação dos participantes face aos pronunciamentos ameaçadores, às manobras e provocações do governo dos Estados Unidos com relação a Cuba, à Venezuela e à Colômbia. Reiteramos o compromisso solidário, a rejeição do bloqueio e do cerco econômico e político contra Cuba e de qualquer tentativa de intervenção militar nestes países.

6. Reiteramos nossa saudação aos triunfos e avanços de nossas organizações e das fraternizações em cada país. Saudamos em particular o triunfo do PT no Brasil, assim como no Equador, onde se expressou a vontade de mudança de um povo; os avanços das mobilizações populares de corte antiimperialista na América Latina e Caribe e a afirmação da luta social na região.

Destacamos a transcendente vitória eleitoral da Frente Farabundo Martí pela Libertação Nacional (FMLN) nas eleições municipais e legislativas, cujo resultado consolidou-a como a primeira força política do país. Destacamos também a significativa vitória do povo porto-riquenho com a saída das tropas norte-americanas da ilha de Vieques.

Registramos como uma ratificação do repúdio ao criminoso neoliberalismo a contundente derrota de Carlos Menem nas últimas eleições da Argentina.

Os processos que nossos países vivem atualmente permitem que se vislumbre uma conjuntura favorável para que avance na região uma integração capaz de permitir que recuperemos nossa independência e soberania sobre nossos recursos e geremos um modelo de desenvolvimento produtivo autônomo, que defenda no mundo atual os direitos de nossos povos à justiça social.

Neste sentido, orientamos nossos esforços partindo da consideração de que o Mercosul, a CAN (Comunidade Andina) e os distintos esforços de integração regional e sua inter-relação, são uma base de grande valor para a integração latino-americana, enquanto avançamos para formas mais profundas visando enfrentar os projetos de dominação e integração dependente como a Alca e outros, tal como são apresentados pelos Estados Unidos.

7. O Fórum de São Paulo ratifica a responsabilidade de cumprir com o objetivo de ser um instrumento protagônico no desenvolvimento da resistência a esta nova forma de imposição do unilateralismo; e de avançar na construção de um projeto continental alternativo ao neoliberalismo, de desenvolvimento produtivo sustentável, justo e libertador.

Para isto impulsionaremos diversas medidas de mobilização popular e o imprescindível intercâmbio e coordenação das das diversas organizações do FSP, de forma a atuar conjuntamente em cada um dos países e nas organizações internacionais com o objetivo de resistir à radicalização imperialista e tornar possível a construção de outra ordem mundial. Também propiciamos relações com as forças sociais e políticas da América do Norte para encontrar linhas de ação comum, em busca do desenvolvimento de tarefas partilhadas face à globalização neoliberal.

Os participantes da reunião do Grupo de Trabalho do FSP participaram como convidados especiais da Sessão Solene pelo 77º aniversário do Partidos Socialista/Frente Ampla, em 26 de maio, assim como tiveram intercâmbios com partidos-membros da Coordenadora Socialista Latino-Americana.

Os participantes consignaram os esforços unitários dos partidos anfitriões da reunião: Movimento Popular Democrático, Movimento Plurinacional Pachakutik, Partido Socialista/Frente Ampla, Partido Comunista Marxista-Leninista do Equador e Partido Comunista do Equador.

A reunião do Grupo de Trabalho ratificou a realização do próximo Fórum de São Paulo para a segunda quinzena de janeiro de 2004, na cidade de Quito, República do Equador.

Quito, 27 de maio de 2003.

 

 

 

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