Cuestiones de
América
Dois fóruns mundiais: ideologia ou
pragmatismo?
Nas últimas duas décadas (1980-2000) os países de
renda baixa e renda media tem visto a renda per capita crescer cada vez menos
do que nos últimos vinte anos (1960-1980)
Mark Weisbrot, Cepr *
Banqueiros, bilionários e seus amigos do governo tem muito a
competir quando se juntam – como fizeram esse último final de semana na cidade
de Nova Iorque para a reunião anual do Forúm Econômico Mundial. A sombra deste
forúm se realiza no sul do Brasil e é menos exclusiva – ninguem paga $25,000
dólares para participar do Forúm Social Mundial e sendo menos elitista que o
Forúm Econômico Mundial, convite não é necesário. As setenta mil pessoas que
foram ao forúm em Porto Alegre foram recebidas com o tema: “Outro mundo é
Possível”.
É comum descartar esse tema como utópico ou dirigido por ideologia
ao invés de praticalidade. Os diciplinários do FMI e os politicos associados ao
Forúm Econômico Mundial são vistos como lideres pragmaticos e até visionarios
que conseguem fazer as decisões dificeis para promoverem progresso em um mundo
real.
Mas, talvez essa sabedoria convencional esta ao contrário. Aqui em
Porto Alegre o Partido do Trabalhador governa a cidade à 12 anos. Ganharam a
maioría dos votos porque provam que a esquerda pode governar. Eles eliminaram a
corrupção e apoiaram um modelo transparente e democrático de se governar.
O crime da cidade caiu, houve melhora na educação e na saúde,
junto com uma distribuição de renda mais justa do que em outras cidades brasileiras.
Nos últimos dois anos o PT também governa o estado do Rio Grande do Sul.
Claro que ainda existe pobreza, estamos falando do Brasil, um país
com a pior distribuição de renda e desigualdade do mundo. Só a uma hora de
onibus da cidade de Porto Alegre encontramos pessoas que estão tentando
melhorar a situação de milhares de brasileiros. Sidnei dos Santos, um
fazendeiro e organizador do Movimento Sem Terra (MST) explica a um grupo de 80
visitantes do Forúm Social Mundial como a Capéla Cooperativa é dirigida.
Cem familias trabalham nestas terras. Ninguem fica rico e ninguem
passa fome. Mas ao mesmo tempo existem milhares de brasileiros que estão sem
terra e com fome. Os fazendeiros do MST parecem saudáveis. Eles servem seus
visitantes carne fresca, frutas e vegetais e são movidos pela solidariedade.
O MST é o maior e o mais bem sucedido movimento de reforma agrária
no mundo. Em um país com muita área fértil é uma pena que tantos passam fome.
Infelizmente a reforma agrária não esta na agenda do Forúm Econômico
Mundial. E pouco estão seus lideres impressionados com o PT como uma
alternativa ao fim à terrível corrupção que impregna os países da América
Latina. Eles tem sua própria fórmula e alternativa para o progresso da
humanidade: sugerem que países em desenvolvimento abram suas portas para o
mercado externo e investimento externo, que privatizem tudo que consigam, tirem
o máximo dos orgãos públicos, e utilizem as recomendações do FMI como a
alternativa mais viável para seu desenvolvimento.
A Argentina é um exemplo recente de um país que seguiu estas
recomendações. E é também um belo exemplo de um país que esta sofrendo uma
tremenda crise econômica.
Nas últimas duas décadas
(1980-2000) os países de renda baixa e renda media tem visto a renda per capita
crescer cada vez menos do que nos últimos vinte anos (1960-1980). Quem são os
ideologistas chatos e quem são os pragmatas? Quem é que esta oferecendo
alternativas práticas em um mundo que tem comida suficiente para alimentar
todos mas ao mesmo tempo deixa 800 milhões de pessoas desnutridas, e inúmeras
outras morrerem de doenças curáveis. Estas são as perguntas que os jornalistas
americanos deveriam fazer.
* III Foro Social
Mundial; Mesa: Desarrollo democrático y sustentable.
Cuestiones
de América Nº 13, Febrero - Marzo de 2003
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